
Na noite de 9 de agosto de 1969 quatro jovens que compartilhavam uma comuna hippy chamada “A Família” em um rancho fora de Los Angeles, assassinaram selvagemente a cinco pessoas, entre elas, a atriz Sharon Tate, esposa do diretor de cinema Roman Polanski, que estava grávida de oito meses. O líder do grupo, Charles Manson, foi condenado a morte, mas sua pena foi comutada por corrente perpétua. Tem 76 anos e leva 42 em prisão; agora, depois de estar 20 anos calado, rompeu seu silêncio para falar em exclusiva para Vanity Fair Espanha. Na entrevista assegura que “a má erva nunca morre” e se define como um ser “muito mesquinho”.
Desde a prisão californiana de Corcoran, Manson segue com seu discurso incoerente: “Vivo no inferno. Não lhe digo à gente o que tem que fazer. Eles sabem o que têm que fazer. E se não sabem, não vêm a mim”. Sobre o múltiplo assassinato diz: “Sou muito mesquinho, um sujo, um foragido. Não jogo, disparo à gente, sou todo o mau”.
Tate recebeu 16 apunhaladas em sua grande barriga. Deixaram morrer sangrada e a penduraram no teto junto a seu amigo Jay Sebring. Seus outros convidados Abigail Folger e Voytek Frykowski foram apunhalados nos jardins exteriores da mansão do cineasta. Antes de entrar, tinham disparado mortalmente ao jovem Steven Parent, que abandonava a casa nesse momento.
Manson ordenou os crimes para instigar uma guerra racial que ele mesmo teria previsto. O condenado tenta reabrir seu caso e para isso se pôs pela primeira vez em mãos do advogado italiano Giovanni DiStefano, conhecido por ter sido o defensor de Saddam Husein e Slodoban Milosevic. O advogado apresentou em seu nome um recurso ante o Comitê Interamericano de Direitos Humanos e enviou uma carta a Barack Obama, na que solicita ao presidente a anulação da condenação por se ter violado os direitos de Manson.
O assassino de Tate alega que não pôde se defender e que o promotor manipulou o caso criando uma teoria sobre uma conspiração que não existiu. Depois opina sobre Obama: “Acho que é idiota por fazer o que faz. Não sê como lhe puderam enganar para se meter aí”
E conclui com suas divagações sobre o humano e o divino. “Sou um mártir, mas também sou uma vítima. E sou um executor. Sou ambas coisas. Sou tudo. Não sou nada”, sentença Manson.